terça-feira, 4 de agosto de 2020

Black is King é tudo!!!!!!

Boa tarde meus queridos,

Neste Final de semana assisti estarrecida o vídeo álbum da Beyoncé. Fui impactada por tamanha beleza, verdade, profundidade, reflexão e outros sentimentos intensos. Faz tempo que não me sentia assim. Convido a todos a assistirem com os olhos da alma. Com certeza será um divisor de águas, um marco importante na indústria da música. Essa mulher linda, inteligente, potente, nos leva a uma profunda reflexão de nossos tempos. Tenho vontade de assistir em loop até não poder mais. Nos mostra o grande caminho para dentro de nós mesmo. Um encontro maravilhoso!

Em 'Black Is King', Beyoncé faz uma ode à ancestralidade e ao afrofuturismo


IMPACTO Obra, disponível no Disney+, dá tratamento audiovisual ao álbum 'The Gift', inspirado em 'O Rei Leão'

Beyoncé ocupa atualmente um posto ímpar no panteão do pop. Nos últimos anos, ela vem se descolando de várias regras da indústria musical - muitas vezes subvertendo-as e, no caminho, criando novos parâmetros. Sua obra caminha para um lugar cada vez mais autoral, ousado e afrocentrado, oferecendo outras possibilidades de representação às narrativas tradicionais (e racistas) da grande mídia. Esses elementos de sua poética encontram o veículo ideal para se manifestarem em Black Is King, álbum visual que lançado nesta sexta-feira (31).

Lançado no ano passado, The Lion King: The Gift é a trilha sonora da versão live action de O Rei Leão, na qual Beyoncé dubla Nala, mas funciona como uma expansão daquele universo, utilizando seus elementos para abordar questões mais amplas, que perpassam raça, gênero e classe. Aclamado pela crítica, o álbum foi recebido com frieza pelo grande público, talvez porque esperavam regravações das músicas imortalizadas no desenho animado.

A artista no entanto, apresentou outra proposta: uma coleção de canções que celebra a diversidade das culturas da África, com a reunião de músicos de países como Nigéria, África do Sul, Gana e Mali, e também descendentes da diáspora africana, como a própria Beyoncé. Black is King concretiza essa visão da cantora e compositora, ampliando em imagens o já complexo universo sonoro do álbum.

Escrito, dirigido e produzido por Beyoncé, em colaboração com outros criadores de diferentes origens e linguagens, o trabalho adapta a essência de O Rei Leão para uma fábula sobre um jovem separado de sua família, aprendendo a viver em um mundo com encantamentos e perigos reais e subjetivos.

O filme amplia as possibilidades de leitura do desenho/live action ao investir em uma narrativa afrofuturista, que se interessa mais nas evocações poéticas e nas subversões imagéticas do que em seguir à risca a estrutura do clássico.

A ação, conduzida pela música e pelos clipes, é intercalada pelos interludes que também estão presentes no disco, pinçados do filme, mas que ganham outros significados em Black Is King. A história desse jovem não é só a jornada de crescimento do herói, cerne de O Rei Leão, mas uma metáfora, também, da história do povo negro.

O trabalho funciona quase como uma progressão natural de temas ue ela já começava a explorar com mais ênfase em Lemonade (2016). Mas, se naquele trabalho as questões de raça e gênero eram articuladas mais a partir de um viés íntimo, a partir das experiências de Beyoncé enquanto uma mulher negra nos EUA, este novo trabalho tem um caráter mais coletivo.

E, aqui, Beyoncé busca decolonizar o pensamento e os símbolos ao inserir referências que ampliam a percepção eurocêntrica que vê a África como um país, ao invés de um continente gigantesco e multicultural. Além de se dedicar ao estudo das culturas africanas, ela se cercou de artistas dos países onde o trabalho foi filmado, que participaram do projeto na frente e por trás das câmeras.

Sobre o trabalho, a artista disse esperar que ele ajude a transformar a visão das pessoas sobre a negritude. "Black Is King significa que preto é majestoso e rico em história, propósito e linhagem", afirmou em uma entrevista recente.

Tecnicamente, o filme é impecável, com imagens incríveis gravadas nos EUA, na África do Sul, Nigéria, entre outras locações. As canções são elevadas e ressignificadas, ganhando novas potências, como em Mood 4 Eva, Nile e Already. A celebração da beleza negra, historicamente negada pelo sistema racista, é um norte da produção, aparecendo como tema direto, como em Brown Skin Girl, com participação de Blue Ivy, filha da cantora e de Jay-Z (também presente no filme), ou indiretamente, através da ênfase na cultura.Das danças (inspiradíssimas) à moda, passando pela religiosidade e pela música, Black Is King pulsa multiculturalidade. Beyoncé exalta a história que foi legada a ela e seu povo, buscando construir novos referenciais para as novas gerações, como explica em Bigger.

"Estamos lutando por algo maior/ Você nunca vai perder, somos vencedores/ Eu serei as raízes, você será a árvore/ Transmito o fruto que foi dado a mim/ Legado, ah, nós somos partes de algo maior", canta na faixa.

A artista sucede em criar uma obra que não olha para a ancestralidade como algo estático, mas como parte da inovação. E ela o faz agregando. Black Is King conta com participações de artistas envolvidos no álbum e pouco conhecidos pelo grande público, como Yemi Alade, Shatta Wale e Mr. Eazi, e de celebridades, a exemplo de Kelly Rowland, da mãe da artista, Tina Knowles-Lawson, Lupita Nyong'o e Naomi Campbell.

Atualmente em exibição no Disney+ (e parte de um acordo da artista com a empresa estimado em 100 milhões de dólares para a produção de três filmes), Black Is King pode chegar ao Brasil, oficialmente, em novembro, quando o serviço de streaming deve aportar aqui. Para garantir que sua mensagem chegue aos locais que ela celebra no longa-metragem, Beyoncé fez um acordo com emissoras de televisão para que o trabalho seja exibido em dezenas de países africanos.

Black Is King é um capítulo importante na cada vez mais instigante carreira de Beyoncé. Acima de tudo, é um marco para a representatividade e para as mudanças culturais que, lentamente, estão ocorrendo na indústria cultural (e na sociedade, como um todo). As narrativas por tanto tempo silenciadas e usurpadas, não serão mais silenciadas, encontrarão eco e criarão outros futuros possíveis.

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